segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Das Trevas à Luz

Já na reta final do plantão, paramos para almoçar, eu e o fiscal.

É domingo, lojas de portas baixadas. Vamos ao Restaurante do Fim do Universo. Não é longe, está em um dos anexos do Aeroporto, na ponta norte, justamente onde acaba o mundo.

A vista é impressionante: Aeronaves de passageiros e carga, no espaço atmosférico, parecem dividir espaço com cruzadores e cargueiros, esses bem mais afastados, na região onde vácuo, sombra e estática formam um manto que envolve naturalmente o planeta e todos os seus habitantes. Estamos, como já afirmei, na borda terminal do Universo. Muita coisa acontece por aqui.

Mas logo deixamos o Stephen Hawking de lado e fomos falar de coisas corriqueiras. Ao sabor de um bom vinho nacional (homeopaticamente dosado, afinal ainda tínhamos algumas horas de plantão pela frente) começamos a refletir sobre certas atitudes do ser humano.

Quando recebemos alguém na Alfândega, freqüentemente verificamos que essa pessoa estava seguindo sentimentos e instintos negativos. Por que outro motivo alguém despacharia na bagagem um computador portátil, novinho em folha, no valor de alguns milhares de dólares, sendo que é público e notório o cuidado com que os carregadores tratam
as malas que saem do porão das aeronaves? Será que as pessoas correm tanto risco assim unicamente na esperança de escaparem à onividência fiscalizatória?

Isso não podemos afirmar. Mas o fato é que, quando finalmente nosso olho vê o que não queria ser visto, e somos obrigados a cumprir a lei, recebemos um passageiro rebelde, arredio, ainda preso aos velhos e negativos sentimentos.

Um passageiro que tentava de subterfúgios para transpor o intransponível. Descontente das leis, das pessoas. Importa-nos muito sublimar toda a raiva que ele sente, todo o ódio velado e incontido pelas instituições públicas em geral, e projetado em nossa Instituição. Nosso dever é converter essa raiva em energia colaborativa. Converter esse ódio em amor.

Paramos alguem que está em trevas. Das Trevas, trazemo-lo para a educação fiscal, para a ética, para a Luz enfim.

7 comentários :

Lygia disse...

Que delícia Jo!
Primoroso como tudo o que vc faz...
Isso já está se tornando um vício!A espera da próxima história...
Parabéns!

Beijos

Mari Amorim disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
fred disse...

Um poema pra você, Joeldo, mas não pense que quero corrompê-lo para o caso de voltar ao Fim do Mundo com alguma muamba na mala.

Abração.


http://eumeuoutro.blogspot.com/2008/11/sem-nexo.html#links

Angelica Amorim disse...

Joeldo

Já estou quase pedindo uma carteirinha vip,ainda bem que frequentar esse blog,é grátis rs,
e pensa que é só eu? já fiz até uns comentários aqui na Facul kkk,não se assuste com as invasões,mas estou adorando.
Beijão
Angélica Amorim

myrian disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Felino da Madrugada disse...

Olá Joeldo,
Tive à oportunidade,de acompanhar seus textos,até mesmo seus poemas,
se bem que não há nada de ficção nesse Brasil de berço expendido...
Onde convivemos realidades que seriam bem melhores se fossem ficção.
Seja bem vindo,aguarde a rota rs.
Parabéns!
Michel Amorym

joeldo disse...

Pessoal, fico muito lisonjeado com todos esses comentários e esse carinho.
Gostaria de agradecer a cada um, assim podem fazer contato pelo meu msn: joeldo@pobox.com
Abraços
Joeldo